Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
Um nó na alma - Parte II
Largo da Luz, 24 de Setembro de 1990, o PIRATA como ficaria conhecido a partir daí entra com dez anos e sete meses pela primeira vez no Colégio Militar. Foi-me atribuído o número 109. Número que ficou ligado à minha pessoa para o resto da vida. A separação dos meus pais foi de facto o momento mais marcante e mais difícil, atenuado apenas pela agitação do momento. Para mim foi mais fácil derivado do facto do meu irmão já estar no oitavo ano. Mas mesmo assim, relacionado com a minha personalidade nunca fui protegido. Tudo era novo e estranho. Os amigos, o sítio, os hábitos, as rotinas.
Na verdade resta a quem chega adaptar-se da melhor forma possível para conseguir crescer de uma forma sustentada. O Pedro não foi excepção. Toda a reportagem é focada neste miúdo de dez anos que, de livre e espontânea vontade, decidiu internar-se no Colégio Militar. Se os pais quisessem escolher, com toda a certeza que o Pedro não frequentaria o Colégio onde o avô foi professor de Ciências da Natureza durante largos anos.
No momento da primeira separação a sobriedade do Pedro contrastava com o desespero da mãe. O Pedro para a proteger escondeu os seus sentimentos e demonstrando toda a sua personalidade. Foi um momento marcante na reportagem, observar  a mãe a afastar-se do Pedro escudando-se este na sua irmã mais nova. No último grande abraço a mãe não se conteve e desatou a chorar.
Nunca me hei-de esquecer, de uma frase proferida no fim da reportagem pelo Pedro quando foi questionado se alguma vez tinha sentido saudade, sendo a resposta clara e objectiva: " (...) Por vezes senti saudade mas não era necessário chorar...Tinha de aguentar. (...) "
Por curiosidade o professor Lajes Pereira, já falecido, foi meu professor durante os meus três primeiros anos na disciplina de Ciências da Natureza. Tinha a alcunha de Pato-marreco. Era muito reservado, mas muito disciplinador. Lembro-me dele como se fosse hoje. A avó, mulher do Professor Lajas Pereira, teve sempre como objectivo a entrada do neto na escola mais antiga de Portugal. Este, teimoso e com uma personalidade muito vincada, decidiu seguir-lhe os conselhos. E ainda bem que o fez.
A avó do Pedro, em certa altura da reportagem, com um sorriso nos lábios afirma: “ Agora sim, já posso ir para o céu. Já cumpri a minha missão!”, com um tom de voz feliz, mas muito emocionado.
Para quem foi aluno, foi a oportunidade de reviver, de forma muito particular e emotiva, a casa que nos criou e que nos fez os homens que somos actualmente. Para o público em geral, foi a oportunidade de ver e respeitar uma forma diferente de viver e crescer. Uma escola completamente diferente de todas as outras. Com um código de honra. Com 205 anos de história. Com o estandarte mais condecorado das forças armadas. Com uma educação de excelência. E uma disciplina apertadissima.
A reportagem relata de uma forma crua o funcionamento do Colégio Militar. O seu dia-a-dia. Os seus hábitos, rotinas, disciplina, tradições bem como a inerente componente militar. Mas relata-as de forma superficial. Por vezes o espectador é induzido em erro, e poderá levá-lo a pensar que a vida “lá” dentro é um inferno. De facto os alunos ficam longe dos pais desde segunda-feira de manhã até quarta-feira à tarde e depois desde quinta-feira de manhã até sexta-feira à tarde. Cria independência, maturidade, senti de responsabilidade, obrigação de praticar pelo menos um desporto (futebol, volleyball, basketball, atletismo, pentatlo moderno, esgrima, equitação, natação, ténis, entre muitos outros.).
Considero um assunto delicado. Hoje em dia os pais têm medo dos internatos. Pelas mais variadíssimas razões. Mas felizmente que esta casa, tem demasiadas provas dadas, tanto a nível da educação de excelência que presta, bem como das condições que os alunos poderão usufruir (é de referir que as instalações do Colégio Militar já foram consideradas das cinco melhores instalações escolares e desportivas em todo o mundo, atrás de escolas tão conhecidas como Eton, por exemplo.)
Vi a reportagem com os olhos embargados em lágrimas. Foi uma experiência demasiado marcante. Inolvidável. Inesquecível. Como em tudo na vida retiro lições positivas e negativas. Ainda bem que as positivas ultrapassam em muito as negativas. Só assim poderia ser...

( Data: 24 Set 1990, no dia em que entrei para o Colégio Militar. 109/ 1990 Esta é a razão da minha alcunha. A que passou de Pirata para Pira por uma questão de comodidade. ;o) )

 

(continua)

 

(Algumas fotos do Pedro, 271 / 2007. Apenas para se comparar.)



publicado por Pira-te daqui! às 20:02
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1 comentário:
De Campa a 20 de Fevereiro de 2008 às 16:33
Amigo...
Há muito que não te vejo!
Pelos antigos alunos do Colégio Militar que conheço, posso afirmar:

"Podem tirar um homem do Colégio Militar, mas não podem tirar o Colégio Militar de um Homem."

Abraço


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