Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
Diário de bordo

Para quê estar a mentir se sinto a sua falta. Sabes, sinto falta daquele olhar terno e paterno. Do respeito e consideração que sempre teve pela minha pessoa, bem como da forma como falava comigo. Sinto falta da sua postura sempre que me via. Parecia que esperava por mim. Com aquele sorriso. Com aquele olhar carente de atenção. Com aquela ingenuidade típica da sua idade. Estas são as coisas boas da vida. Na verdade gostaria de lhe dizer que tenho saudades de lhe fazer companhia. Das conversas que tínhamos. Daquele abraço de despedida que apenas confirmava uma amizade inesperada mas genuína.

 

Há várias noites que este pensamento me assiste, naqueles minutos(longos!) antes de adormecer. Quando estamos no mar passamos imenso tempo sozinhos. Quase todo o tempo. Aliás. Mas apenas quando me deito, e sinto o barulho das ondas a bater na proa do barco, é que sinto a saudade do tempo que o próprio tempo levou.

 

Nunca tive muito o hábito de deixar o barco, para passar uma noite nos portos. Os meus Piratas é que faziam questão disso. Embriagavam-se. Frequentavam casas de prositutas. E pilhavam as casas que lhes apetecia. Nada podia fazer. Tinha sido a vida que tinha escolhido.

 

Naquele dia, decidi desembarcar. Nunca antes tinha deixado o comando daquele barco. Eram anos. A última vez que tinha acontecido tal coisa tinha sido no meu porto de abrigo, e tinha posto em causa tudo. Nessa altura pensei em nunca mais voltar ao mar.

 

Naquela vez, conheci aquele senhor bem vestido, bem educado, já com uma certa idade, sentado num banco de jardim, a ver as pessoas passar. Nunca o abordei. Sempre que que parávamos naquele porto, era o único em que fazia questão de deixar o barco. E todas as vezes, que por lá passava, lá estava ele. Nunca me hei-de esquecer daquela primeira frase "Como está o senhor?".  Disse-o com segurança. A partir dali a cumplicidade fez o resto.

 

Foram tardes e tardes. Meses. Houve alturas em que, me alguém me disse frases como " Todos os dias fica à sua espera."  ou "Não passa um único dia, que não se sente nesse banco de jardim à espera que chegue!". Um único dia. Conversávamos sobre tudo. Sempre sobre o seu comando. Eu, na minha simplicidade, apenas fazia a minha parte. Dar-lhe toda a atenção possível. Todo o carinho. Toda a disponibilidade.

 

Num certo dia, os meus Piratas excederam-se. Pilharam e incediaram o que não deviam. Tivemos de fugir. Não havia hipótese. Fomos perseguidos. E nunca mais pudemos fazer essa rota. Nunca percebi porque não tiva a coragem de lá voltar. Ainda hoje me arrependo de não ter tido a coragem de ter ido lá só para me despedir. Tinha sido das melhores pessoas que tinha conhecido. Tratava-me sem indiferença, e dava importância ao que eu era realmente. Ao contrário de outros.

 

Ainda hoje penso, se espera todo o santo dia por mim e se pergunta  aos comerciantes sobre o meu barco, ou sobre mim. Tenho saudades suas. Sinto a sua falta.

  

Na verdade sei que sim. Sei que pergunta por mim. Sei que gosta de mim e sei que tem saudades minhas... Só gostaria que soubesse da verdade toda, porque a merece!

 

E essa já não depende de mim...

 

 



publicado por Pira-te daqui! às 02:26
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